Gorillaz – Stylo: Running to Chicago (Corrida para Chicago)
Do Linguagem Gráfica

De todas linguagens talvez a que menos tive contato de produção até hoje foi a de audiovisual. Pode-se dizer que sou praticamente um amador na área. Com pouquíssimos conceitos nessa extensa área eu consegui conduzir este pequeno videoclipe se utilizando de imagens já exibidas no cinema e na tv para uma das disciplinas do curso de Comunicação e Multimeios da PUC-SP. O desenrolar de todo o projeto e o resultado você confere aqui na integra:
Remontagem Fílmica: Videoclipe
Música: Gorillaz (Stylo)
Edição e produção: Anderson Araujo
O clipe da banda virtual de trip rock (gênero que faz fusão de rock, rock alternativo e post-rock) Gorillaz, Stylo, faz diversas referências aos clássicos das perseguições hollywoodianas das décadas anteriores (famosos enlatados americanos), fortemente marcado especialmente por se utilizar de veículos do tipo Muscle Car americanos policiais e refrões blues, estéticas fílmicas pertencentes ao filme The Blues Brothers (John Landis) de 1980. Todas essas referências foram buscadas e atualizadas com o melhor da computação gráfica e recursos de áudio modernos com pitadas do seu trip rock, hip hop, blues e música eletrônica.
O clipe se inicia com fuga e perseguição policial, este após ser jogado para fora da estrada é dado seqüência por outro carro guiado por Bruce Willis que tenta parar os protagonistas durante o resto do clipe:
A justificativa além do meu interesse em fazer experimentações de montagens de videoclipes, fica por conta do material escolhido para esta edição ter sido parte do meu repertório de infância na década de 80, a qual a televisão daquele período reprisava estes materiais de décadas anteriores ao meu nascimento exaustivamente na rede aberta e ficaram fortemente marcados em minha memória. Os filmes escolhidos foram o The Love Bug (Se meu Fusca Falasse) 1968 de Robert Stevenson, Bullitt 1968 de Peter Yates, Smokey and the Bandit (Agarre-me se Puderes) 1977 de Hal Needham, The Dukes of Hazzard (Os Gatões) 1979 de Gy Waldron e o The Blue Brothers (Os irmãos Caras de Pau) 1980 de John Landis que é a espinha dorsal do videoclipe de persiguição.
A metodologia aplicada tentará ao máximo se aproveitar dos refrões da letra para dar ritmo sempre se utilizando de cortes secos entre diversas corridas e perseguições desses filmes para dar uma idéia narrativa de perseguição constante aos Blues Brothers, além da própria polícia.
O objetivo é uma reflexão sobre as narrativas das perseguições do cinema que são consideradas as primeiras formas de narrativas do cinema já citado por Costa que faz a junção entre a narrativa e o espetáculo
“Os filmes de perseguição foram as primeiras formas de narrativa freqüentes entre os anos de 1903 e 1906. Tom Gunning esclarece que “apesar de haver protótipos da chase form tão cedo como em 1901(em Stop Thief de Williamson)” esta forma só se tornou importante em 1904, pois “ o gênero aparentemente dominante ( em numero de filmes feitos) até 1903” era a narrativa de um plano só. Os filmes de perseguição compunham-se de um quadro inicial, em que acontecia uma ação que gerava algum tipo de perseguição se desenrolava e terminava. Eram, portanto filmes mais longos, que passaram a utilizar cenários naturais, cuja amplitude podia conter as pequenas multidões que essas histórias geravam. A existência destes filmes demonstra para Gunning, que “estavam em curso síntese entre atrações e narrativa”. Por um lado “a perseguição tinha sido a narrativa verdadeiramente original do cinema fornecendo um modelo para a causalidade e para linearidade assim como para a montagem em continuidade”. (COSTA, 1995, p. 49/50)”
Se aproveitando do clichê estilístico atualizado pelo áudio da banda, o que se pretende aqui é fazer uma volta aos filmes de corridas e perseguições desses enlatados, mas mantendo o áudio moderno assim remontando todo o videoclipe da banda em cima de imagens já filmadas criando assim um confronto entre a nostalgia da imagem dos enlatados em contraste direto com o som temático bem atual. O tema será preservado e gerará uma narrativa do mesmo gênero, porém com histórias e finais diferentes do original.
Running to Chicago
Música: Gorillaz (Stylo)
Edição de vídeo: Anderson Araujo
Bibliografia:
COSTA, Flávia. O primeiro Cinema: espetáculo, narração e domesticação. Rio de Janeiro:Azougue editorial,1995.
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